
O namoro de Björk com o Jazz é antigo. Em 1990 com o “Trio Guðmundar Ingólfssonar” lançou “Gling-Gló“, um álbum de jazz em sua forma mais tradicional: vocal, bateria e baixo e piano acústicos. Cinco anos depois, em “Post“, gravaria “It’s All So Quiet“, de Erich Meder, Hans Lang e Bert Reisfeld.
O saxofonista Travis Sullivan levou esse namoro a sério e em 2004 fundou a “Bjorkestra“, que pode ser considerada uma das “bandas tributo” mais interesantes da música independente. São 18 (!) pessoas se esmerando em transformar as canções da pequena notável que veio da Islândia no mais puro jazz (apesar de em alguns momentos se utilizar da eletrônica).
Suas apresentações pelos Estados Unidos fizeram com com que a banda ganhasse elogios de músicos e da crítica especializada, com destaque para o “The Wall Street Journal” e a revista “Jazz Times“. No ano passado Travis Sullivan ganhou reconhecimento internacional quando se apresentou com a “Sicilian Jazz Orchestra” no “Teatro Golden”, na Sicília, com ingressos esgotados.
Se ao vivo já demosntravam uma qualidade impressionante, em seu primeiro álbum, “Enjoy“, lançado este ano, o grupo mostra ao que veio em dez canções extremamente bem arranjadas. Becca Stevens (vocal) está longe de ser uma Björk. Isto no bom e no mal sentido. É bem verdade que sua voz não possui o carisma, a inventividade e a estranheza da islandesa; em contrapartida é mais doce e firme, além de servir de “norte” para os delírios de Sullivan e seus músicos.
Os destaques do disco ficam por conta de “Hiperballad” – numa versão intensa com belíssimo solo de sax; “Army Of Me” – elétrica e vigorosa; e “Hunter” – misteriosa e com um toque de “Bolero de Ravel“.
Aqueles que costumavam implicar com as performances de Björk agora serão obrigados a se renderem a seu talento como compositora e à beleza de suas canções.
http://www.myspace.com/travissullivansbjorkestra
“Enjoy“