
O músico Vitor Ramil foi eleito pelo voto popular o melhor cantor no Prêmio TIM 2008. Vitor surpreendeu batendo nomes como Gilberto Gil e Lulu Santos. Apesar da surpresa, o prêmio é mais do que merecido.
Compositor e cantor, Vitor começou sua carreira no início dos anos 80. Aos 18 anos gravou seu primeiro disco “Estrela, Estrela“, com a participação de músicos do primeiro time da música brasileira como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luiz Avelar. O disco ainda contou com as cantoras Zizi Possi e Tetê Espíndola. A faixa título acabaria virando sucesso na voz de Gal Costa.
Produzido por seus irmãos, Kleiton e Kledir, seu segundo trabalho, “A Paixão de V Segundo Ele Próprio” (1984) é um disco mais experimental. Orquestra, instrumentos de brinquedo, efeitos eletrônicos e um violão pra lá de milongueiro são usados para construir um universo surrealista que, de alguma forma, sempre estará presente nos trabalhos futuros.
Em 1987 Vitor trocou o sul pelo Rio de Janeiro e lançou “Tango“. Com um retrato feito pelo pintor Carlos Scliar na capa, o disco abandona o experimentalismo do trabalho anterior e consolida definitivamente Vitor como um dos grandes nomes da música brasileira. As letras ainda repletas de referências surrealistas estão mais elaboradas e a poesia mais afiada. Acompanhando Vitor grandes nomes como os falecidos Nico Assumpção e Márcio Montarroyos, além do guitarrista Hélio Delmiro, todos eles com bastante espaço para improvisos de altíssima qualidade.
Nos anos 90 Vitor, cada vez mais ligado às suas raízas “sulistas”, desenvolveu a “Estética do Frio“. Certo de que o Rio Grande do Sul não é margem do país, mas o centro de uma de uma outra história, Vitor retorna ao sul. O primeiro passo foi lançar um disco (que saiu em edição limitada). “À Beça” é o embrião do que viria a seguir. Belas melodias, letras leves e curiosas fizeram deste trabalho um biscoito fino. A canção “Foi No Mês Que Vem” mostra a qualidade da poesia de Vitor: “Vou te vi / ali deserta de qualquer alguém / penso, logo irei / que seja antes minha que de outrem…”
Os dois trabalhos seguintes talvez sejam os mais importantes de sua carreira e foram os que fundamentaram a “Estética do Frio“.
“Ramilonga” (1997) serve como manual para se compreender do que é composta tal “Estética“: Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Tudo isso embaldo pela “milonga”, ritmo comum ao Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina, nos leva a percorrer o imaginário gaúcho, onde o rural e o cosmopolita convivem simultaneamente. O violão “rancheiro” dialoga muito bem com instrumentos africanos e indianos criando uma música ao mesmo tempo regional e universal.
“Tambong” (2000) foi gravado na Argentina e teve produção de Pedro Aznar. Algumas canções de “À Beça” foram regravadas e ganharam uma roupagem mais adequada às idéias que são a base da “Estética do Frio“. O disco saiu em duas versões, uma em português, outra em espanhol e abriu caminho para Vitor ir além da América do Sul, fazendo apresentações na Europa sempre sendo muito bem recebido por crítica e público.
Quatro anos depois é a vez de “Longes“. Repetindo a fórmula de “Tambong“, o disco também foi gravado na Argentina e produzido Aznar. Este trabalho pode ser definido como um ponto equidistante entre “Ramilonga” e “Tambong“. É como se Vitor tivesse encontrado o equilíbrio entre forças que, na verdade, se completam. Um disco delicado e ao mesmo tempo avassalador graças às dissonâncias e letras repletas de “idas e vindas” como na canção “Longe de Você“: “Todo dia o dia quer passar / Mas o fim não vem / A espera é sempre tão brutal / Tudo se mantém…”
Em 2007 foi lançado “Satolep Sambatown” em parceria com o percussionista Marcos Suzano. Instrumentos convencionais se misturam a samplers e sintetizadores assim como o samba e choro se misturam ao samba. Essa ponte aérea Rio de Janeiro/Rio Grande do Sul conta com as participações especias de Jorge Drexler e Kátia B.
Vitor Ramil e Marcos Suzano – A Zero Por Hora
3 Comentários
Não esperava que ele fosse ganahar não! Mas foi muito bom!
http://naoserouser.wordpress.com/
Acho que ninguém esperava… ainda mais sendo voto popular!
Tomara que isso signifique que os ouvidos estão melhorando…
Bah, Vitor ter ganho foi uma maravilha, pois ele dá um banho de qualidade em todos os outros concorrentes. O seu trabalho tem uma consistência que não há em outro artista brasileiro. Na minha opinião, a MPB anda por demais de aborrecida e, graças a Deus, temos um Vitor Ramil para nos redimir. Quer coisa melhor que colocar todos os discos do Vitor Ramil e do Jorge Drexler no iPod? Não precisa de mais nada.